Desafio do terceiro setor passa por mudanças culturais e estruturais

Será que a sociedade está apta a receber aqueles em situação de vulnerabilidade?

Publicado originalmente por Debate Jurídico

Por Dra. Anne Wilians

Somos desiguais, sem acesso aos bens, espaços e oportunidades de forma democrática, assim como acontece em inúmeros países em desenvolvimento e do terceiro mundo.

Ao não tratar políticas públicas e pautas de direitos humanos de forma contínua e duradoura, com comprometimento e sem viés partidário, aumentamos a vulnerabilidade de quem necessita dessas ações sociais. Os organismos do Terceiro Setor são essenciais nessa temática, para que, junto ao governo e ao setor privado, busquem a mitigação de desigualdades.

Instituto Nelson Wilians, assim como diversos organismos do Terceiro Setor, se debruça na ciência de desenvolver programas e projetos que promovam transformação social.

No nosso caso — assim como 4,8% de outras organizações sociais — nos dedicamos à educação e, por meio de pesquisas e estudos técnicos, buscamos trocar experiências com outros institutos e setores públicos, a fim de aprimorar metodologias educacionais que possibilitam a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Aliados à tecnologia, cada vez mais temos visto inovações metodológicas que apresentam um saldo positivo. Os contemplados por esses programas de educação estão se cercando de ferramentas para buscar o seu lugar ao sol e conquistar seu espaço. Esperamos que, em breve, possam participar de um cenário econômico ativo e disputar espaços de poder que hoje são restritos a determinados grupos.

Isso está claro quando avaliamos as pesquisas da Pulses, consultoria estratégica especializada em gestão de pessoas. Elas nos mostram que menos de 10% dos colaboradores das empresas fazem parte de algum dos grupos considerados minoritários e se enquadram em alguma situação de vulnerabilidade social.

A reflexão é: será que a sociedade está apta a receber aqueles em situação de vulnerabilidade? De acordo com a consultoria PWC, 76% das empresas estão investindo em Diversidade e Inclusão. Porém, apenas 22% dos funcionários relataram perceber essas políticas internas, algo que nos diz muito sobre a falta de profundidade dessas ações.

Acredito que muito se deve ao desconhecimento da mudança de cultura empresarial e políticas de governança mais estruturadas, tanto para que busquemos esse cenário mais diverso quanto para que os educandos sintam que seus esforços valem a pena. Afinal, se possuímos programas educacionais públicos e privados que formam esse público, temos que ter um mercado interno que absorva essa mão de obra também.

De nada adianta fazermos campanhas de diversidade e inclusão sem práticas para que esse público plural se beneficie realmente disso. Como membro do Terceiro Setor e atuante na formação educacional de muitos destes jovens, sinto que devemos orientar e cobrar do setor privado algumas práticas para que tenhamos uma sociedade mais justa e equitativa.

A primeira delas envolve a compreensão de que temos um universo para olhar diante da diversidade, seja de gênero, raça, PCD, LGBTQIAP+ e os 50+. Em cada um desses grupos, temos outras variáveis e não podemos deixar de compreender suas interseccionalidades.A análise de quais habilidades um candidato deve ter — ou as exigências para cada vaga — deve apresentar uma visão mais realista, para que não cobremos exacerbadamente sem necessidade, limitando ou tornando o ingresso no mercado inacessível para a maior parte da população.

Um exemplo claro é a exigência da língua inglesa num país em que menos de 5% da população domina esse idioma, segundo pesquisa feita pelo Instituto Cultural British Council. Uma boa oportunidade seria oferecer programas de formação continuada dentro das próprias organizações, para que seus colaboradores sejam formados e orientados de acordo com as expectativas da companhia.

Muitas vezes, o candidato nem consegue perceber que é apto para uma vaga. Para que isso ocorra, além da realização de buscas no mercado de forma direta, é necessário utilizar uma linguagem convidativa para se chegar a esse público.

Também é preciso trabalhar com metas para que essa pluralidade se materialize em cargos de gestão e alcance os C-level (executivos seniores). Afinal, também estamos falando de um reflexo na produtividade da empresa.

Queremos ver a transformação interna e que as nossas grandes organizações sejam um exemplo para a nossa sociedade. Caso alguém ache que isso implica na diminuição de qualidade ou competência técnica, o aumento de produtividade em organizações com real diversidade aparece comprovadamente nas pesquisas. Conforme aponta um estudo feito em 2017 pela consultoria McKinsey, essa realidade aponta 21% a mais de lucratividade nas companhias.

Para que isso ocorra, devemos ter lideranças internas interessadas em algo além de contratações e marketing. Devemos ter comprometimento efetivo. Como o trabalho envolve mudanças culturais e estruturais, podemos nos apoiar em empresas de consultoria especializadas para que os jovens assistidos em programas de educação, que fazem parte dessa maioria invisibilizada, tenham um lugar ao sol.

*Anne Wilians é advogada, fundadora e presidente do Instituto NW

Instituto Nelson Wilians, braço de investimento social do NWADV já atendeu mais de 23 mil jovens

Publicado originalmente por Rota Jurídica

Em apenas três anos, o INW-Instituto Nelson Wilians já atendeu mais de 23 mil jovens diretamente e outras 100 mil pessoas indiretamente.

Concebido como uma organização social sem fins lucrativos, que atua pelo empoderamento social como condição para superar desigualdades, o INW trabalha em parceria com instituições locais, por meio de programas focados em Educação e Direito.

“Uma população que conhece seus direitos é uma população capaz de transformar positivamente sua realidade, de se empoderar e abandonar a experiência de uma cidadania marginalizada”, ressalta Anne Wilians, advogada e presidente do INW.

Braço de investimento social do NWADV-Nelson Wilians Advogados, que tem filiais em todos os os Estados, incluindo Goiás, o Instituto prioriza o atendimento aos jovens, historicamente os mais atingidos por desigualdades no Brasil.

“Acreditamos que a educação transforma, quebra fronteira e crenças limitantes”, afirma Anne Wilians. “Assim, nossa missão é promover o empoderamento social e a emancipação humana a partir de programas e iniciativas focados em Educação e Direito, fortalecendo o exercício da cidadania, a democratização de oportunidades e a mitigação das desigualdades sociais”.

Para atingir suas metas, o INW tem implantado uma série de programas com o objetivo de democratizar o conhecimento e possibilitar às pessoas em estado de vulnerabilidade a oportunidade de ultrapassar os limites impostos a elas por sua condição social.

Entre esses programas está o Compartilhando Direito, pelo qual profissionais capacitados do Direito comprometidos e engajados em causas sociais prestam serviços voluntários em Organizações da Sociedade Civil parceiras do INW.

“Estamos trabalhando e vamos continuar trabalhando para a democratização de oportunidades nesse país. Acreditamos que a ponte mais sólida dessa transformação é construída com educação e conhecimento”, acrescenta Anne Wilians.

Empreendedorismo Social Feminino

Por Anne Wilians (Autor) 

O potencial de empreendedorismo feminino com foco em negócios sociais ainda é pouco explorado e incentivado. Quantas mulheres tiveram sonhos e projetos que não se concretizaram por falta de incentivo, oportunidade, financiamento, ou por despreparo?

Com esta obra a autora faz uma construção prática de pilares essenciais para um negócio com verdadeiro impacto positivo para a sociedade, respeitando um modelo sustentável e duradouro, trazendo ferramentas de emancipação social de forma mais justa e equitativa.

Nesse caminho por equidade de gênero, é importante ter a ciência de que ainda estamos bem longe do ideal pretendido, iremos nos deparar com a realidade presente nas estatísticas, mas também com ferramentas para vencer as adversidades encontradas.

Esse e-book é um passo para emancipação, um caminho entre sonho e realização, trabalhando pilares estratégicos e emocionais.

NW PODCAST #25: O Instituto Nelson Wilians

O 25º episódio de nosso bate-papo jurídico on-line tem como entrevistado a CEO e fundadora do Instituto Nelson Wilians, a Dra. Anne Wilians.

Além de podermos conhecer a história do INW e como foi o seu processo de criação, também tivermos a oportunidade de saber os números impressionantes de projetos desenvolvidos e pessoas impactadas.

Por fim, qual será a agenda para 2021 e os projetos que fazem parte das comemorações do quarto aniversário do INW.

Ouça agora

INW abre 2º Edital para projetos na educação

Estão abertas as inscrições para o 2º Edital de Aporte Financeiro do Instituto Nelson Wilians. Serão selecionadas cinco iniciativas de organizações sociais ou negócios de impacto social, que receberão o aporte de até 20 mil reais para a execução entre fevereiro e julho de 2021. A aplicação deve ocorrer por meio de parceria com outras organizações com público é composto por adolescentes e jovens a partir dos 14 anos, e/ou com educadores sociais e professores de escola pública.

As inscrições podem ser feitas até 30 de novembro.

Os programas selecionados serão aplicados nos estados do Amazonas, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Pernambuco, para no mínimo 400 alunos ou educadores dessas regiões. O INW está à procura de projetos projetos que tenham metodologias e iniciativas na educação com foco no estímulo ao desenvolvimento de competências socioemocionais, técnicas e profissionais; prevenção, sensibilização e enfrentamento da violência doméstica, sexual e de gênero; empoderamento feminino e formação de valores; educação como instrumento de inclusão e desenvolvimento social.

“Com esse investimento, queremos reforçar o compromisso do INW com a redução das desigualdades e reconhecer iniciativas que já oferecem programas de qualidade com histórico de atuação. Estamos otimistas com mais uma oportunidade de contribuir com a transformação social, por meio do investimento em programas voltados à educação”, comemora Anne Wilians, Fundadora e Presidente do Instituto. 

Para a seleção das propostas, será considerado também a capacidade técnica e de gerenciamento da organização, viabilidade da proposta, consistência na metodologia, impacto na vida dos beneficiários. Os detalhes adicionais estão descritos no Edital.

Com isso, o INW reforça seu compromisso com a educação de qualidade, inclusiva e equitativa, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade. O Instituto sabe da importância de reconhecer e valorizar iniciativas sociais que já desenvolvem programas socioeducativos, por isso acredita no impacto positivo do aporte financeiro. 

Acesse o edital AQUI.