É preciso dialogar sobre a nova dinâmica jurídica

Publicado originalmente por Estúdio Folha

Há tempos me convenci que empresário bem-sucedido é empresário bem assessorado. Isso vale para qualquer setor de atividade, sobretudo para o modelo de negócio da advocacia, que não está mais enlaçado às correntes do tradicionalismo jurídico.

Recentemente, ao me deparar com a frase do escritor e palestrante Jim Rohn: “As pessoas bem-sucedidas estão dispostas a fazer aquilo que os outros não querem fazer…”, me recordei do início do NWADV, quando começamos a desenhar um modelo de escritório que estivesse em todas as capitais brasileiras com a mesma qualidade na prestação serviços, de atendimento e com o mesmo visual, como uma grande rede guiada pelos mesmos valores e propósitos.

Sabíamos que não poderíamos obter resultado diferente fazendo a mesma coisa que os outros escritórios.

A questão, porém, não era simplesmente ter a ideia, mas como levá-la para o mundo real, possibilitando às grandes corporações uma opção de atendimento jurídico uniforme em todos os cantos do país, evitando o deslocamento de seus funcionários e reduzindo custos. Foi isso que procuramos desde o início. Guardando às devidas proporções de cada cidade, buscamos essa padronização sem deixar de oferecer um serviço personalizado e, sobretudo, que entendesse as peculiaridades regionais.

Agrupamos, assim, os melhores especialistas de cada área que, além da expertise jurídica, tinham uma visão “fora da caixa”, representavam, sobretudo, aliados para nossa estratégia empresarial.

Ainda que esses conceitos pareçam básicos à luz dos enunciados empresariais modernos, a advocacia ainda está envolta em certa nuvem que a pressupões como um mundo à parte. Não nos cabe julgar outros procedimentos, mas sermos coerentes com a nossa visão e missão, sem esquecer dos preceitos éticos e do senso de Justiça que norteiam nossa profissão.

Porém, dentro de uma visão pós-darwiniana sempre buscamos evoluir e nos adaptar, com paixão, coragem, resiliência e planejamento. Isso está em nosso DNA, porque sabemos também que é preciso “aprender, desaprender e reaprender”, para não sermos presas do conformismo.

A pandemia, por exemplo, intensificou o uso da tecnologia, e o mercado passou a valorizar um novo profissional jurídico, atribuído de novas funções impulsionadas pelo desenvolvimento de novos negócios.

Dessa forma, torna-se vital dialogarmos sobre a adequação da advocacia em meio a tantas transformações, como a utilização do sistema de voto eletrônico na eleição das diretorias das OABs (muitas seccionais ainda não se manifestaram sobre o assunto), como se faz necessária também uma atualização curricular nas faculdades de direito, com a introdução de disciplinas como a tecnologia da informação, empreendedorismo, gestão financeira, marketing jurídico, entre outras que reflitam essa mudança no mercado jurídico e para que os operadores do Direto estejam capacitados frente à nova dinâmica de negócio.

Por Dr. Nelson Wilians, empreendedor, advogado, fundador e presidente do Nelson Wilians Advogados

Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo

O ambiente em que vivemos afeta diretamente o que somos e o que nos tornamos

Publicado originalmente por Mundo Rh

O conjunto de características do grupo em que estamos inseridos influencia diretamente a maneira em que nos comportamos, em nossas decisões e consequentemente, no sucesso ou fracasso de nossas inciativas.

Você já considerou que as pessoas em seu entorno podem influenciar o caminho do seu desenvolvimento? Todos nós precisamos de familiares, amigos e mentores em nossa jornada, no entanto, você já parou para pensar que talvez algumas dessas pessoas tenham um impacto negativo em sua vida, mesmo que involuntariamente?

Isto significa que o seu ambiente — especificamente as pessoas inseridas nele — determinam um enorme impacto em quem você se torna. Nossa vida social, nossas características e valores apresentam grande relação com os resultados que alcançamos. Tem relação com a concretização ou não dos nossos objetivos e aspirações. Afinal, antes de sermos excelentes profissionais e alcançarmos o sucesso, precisamos ser excelentes seres humanos.

Em tese, cercar-se de pessoas saudáveis, inteligentes, desafiadoras e interessantes provavelmente o tornará como as pessoas que você admira. E o oposto também é verdadeiro. Você deve se afastar de pessoas negativas e que não estejam alinhadas com o seu propósito e seus valores. Menos “isso não vai dar certo” e mais “tem alguma maneira em que eu possa te ajudar com isso?”. Conforme ensinamento bíblico: diga com quem tu andas e eu direi quem tu és!

Não estou dizendo que você deva abandonar familiares e amigos que se enquadrem nessas descrições negativas. Talvez eles não estejam alinhados com seu propósito, mas vocês podem crescer juntos em alguma área específica. Ou talvez a relação de vocês esteja baseada apenas no lazer e descompressão, e não tem problema algum nisso. Porém, busque novas formas externas de encorajamento e canalize as inspirações para quem está na mesma sintonia dos seus objetivos.

Você tem o poder de determinar quem você se torna. Não só em esfera interna por meio do desenvolvimento pessoal, mas ao escolher com quem você passa mais tempo. Se seu círculo de amizades tiver pessoas mais inteligentes que você e mais bem sucedidas, se inspire nessas pessoas e possivelmente você alcançará o sucesso e a auto realização. Por outro lado, se seu círculo interno é formado por pessoas negativas e preguiçosas, provavelmente este será o seu padrão natural de vivência e você será uma pessoa medíocre e infeliz. Eu sempre digo: “prefiro ser o menor apostador na maior mesa do que o maior apostador na menor mesa”.

O poder do ambiente é tão significativo que pode influenciar todas as esferas da sua vida. Se você quer ser bem sucedido, ande com pessoas bem sucedidas. Agora, se quer ter uma vida minimalista e desapegada, fique longe desse perfil. Tudo o que você quer para o seu futuro pode ser moldado por meio das relações que você adota em sua rotina.

Pessoas tendem a acreditar que grande parte das suas ações é ditada simplesmente por sua própria vontade, mas ao longo da história podemos ver centenas de casos de sucesso onde amigos foram bem sucedidos juntos, um inspirando o outro, fazendo com que o sucesso de ambos fosse inevitável e absolutamente natural.

Portanto, pergunte a si mesmo o seguinte: Com quem você está investindo seu tempo? Sobre o que eles falam? Estão alinhados e concordam com seus valores, objetivos e propósito? Eles te inspiram e promovem seu desenvolvimento ou tentando mantê-lo inerte?

Finalizo este artigo com a frase de Simon Sinek, autor britânico e palestrante inspirador: “Você não consegue crescer sozinho, então não finja conseguir”.

Por Bruno Pedro Bom, advogado e publicitário, fundador da BBDE Marketing Jurídico, diretor de Marketing do IBDP. Autor da obra Marketing Jurídico na Prática publicado pela editora Revista dos Tribunais.

Por Nelson Wilians, advogado e empreendedor. Presidente do Nelson Wilians Advogados

Rodada de negócios reúne R$ 5 bi em projetos de infraestrutura no Brasil e na América Latina

Publicado originalmente por Estadão

Juliana Estigarríbia

O Nelson Wilians Advogados e a Swell Capital, com sede em Los Angeles, firmaram parceria para captação de recursos para projetos de infraestrutura no Brasil e na América Latina. A primeira “rodada virtual de negócios” deve acontecer ainda neste mês e as duas empresas já têm mandatos e/ou estão desenvolvendo projetos em portos, mineração, Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) e saneamento, que somam cerca de R$ 5 bilhões.
 
Com o setor de infraestrutura em evidência no Brasil, a parceria terá atenção especial para transportes, incluindo logística portuária, ferrovias e mobilidade, além de energia e saneamento. Os escritórios trabalharão na divulgação internacional de projetos representados pelo Nelson Wilians perante fundos de investimento nos Estados Unidos e na região do Oriente Médio, áreas de atuação e especialização da Swell Capital.
 
Para o sócio do Nelson Wilians, Marcel Daltro, a parceria deve facilitar a captação de investimentos em um cenário de pandemia, diante das restrições de viagens e reuniões presenciais. A Swell tem expertise na atração e captação de investimento estrangeiro direto, facilitando o acesso desse capital a fundos e projetos.
 
Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 12/04, às 17h46.
 
O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Por que as mulheres foram as mais atingidas pelo coronavírus

POR DR. NELSON WILIANS

Publicado originalmente na edição do dia 30/03/21 da Forbes Brasil

Desde março de 2020 convivemos com o fardo mortal da pandemia do coronavírus. De lá para cá, muita coisa mudou. As relações de trabalho, as relações sociais, a economia, os cuidados com a saúde etc. etc. etc. São tantas as mudanças, que tenho “dificuldade em admitir que agora tenho muito a admitir”, como bem observou o escritor inglês Alain de Botton.

A pandemia ficará para a história, com certeza.

Mas o que me causa ansiedade são as consequências para as próximas décadas com decisões tomadas hoje, muito além do alívio com as vacinas, da tristeza e do mar de emoções que sentiremos sobre este período nebuloso e permeado por uma incerteza atroz.

O fato é que estamos em uma encruzilhada, escolhendo caminhos que podem não ter retorno.

Com a capa dessa edição da Forbes, fui olhar um relatório norte-americano, produzido pelo LeanIn.Org, em parceria com a consultoria empresarial McKinsey: Mulheres no Local de Trabalho 2020.

O relatório revela que as mulheres foram extremamente impactadas pela crise, especialmente as mulheres negras, com a maior probabilidade de terem sido demitidas ou dispensadas durante a crise da Covid-19.

De acordo com informações do levantamento, isso é mais preocupante do que se imagina, levando-se em consideração que, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2020, a representação de mulheres em cargos de vice-presidente sênior havia crescido de 23% para 28%, e a representação na diretoria havia passado de 17% para 21%. Portanto, nota-se que as mulheres continuaram subrepresentadas, mas os números melhoraram lentamente.

O relatório mostra ainda que mais de uma em cada quatro mulheres está considerando o que era impensável há apenas seis meses: mudar de carreira ou deixar o mercado de trabalho por completo. Com isso, as empresas correm o risco de perder mulheres na liderança e de ver naufragar anos de árduo progresso em direção à diversidade de gênero.

Guardadas as diferenças com o mundo corporativo americano e o mercado de trabalho feminino de lá, esse quadro é uma realidade possível em nosso país – não só pelas demissões como pela dupla jornada em um período em que escolas e creches estão fechadas.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de novembro passado, 897,2 mil trabalhadores perderam o emprego de março a setembro de 2020, em função da pandemia e do isolamento social, sendo 588,5 mil mulheres, ou seja, 65,6% dos demitidos.

Diante desta constatação de que as mulheres foram as mais atingidas, fica clara uma das razões da dispensa do trabalho: elas são maioria nas atividades mais prejudicadas pela crise, como o setor de serviços. Entre outras questões, além dos efeitos da reestruturação e da automação nas empresas que reduziram postos de trabalho, as mulheres têm que enfrentar uma dificuldade que causa mais angústia: a dificuldade em reorganizar o esquema doméstico, sobretudo as que têm filhos e estão sem a opção de deixá-los nas escolas fechadas pela pandemia.

A boa notícia contida no próprio relatório é que a crise representa uma oportunidade. Se as empresas fizerem investimentos significativos na construção de um local de trabalho mais flexível e empático (há sinais de que isso esteja começando a acontecer), elas podem reter as funcionárias mais afetadas pela crise, criando um ambiente em que tenham oportunidades iguais.

Recentemente o INW (Instituto) organizou um encontro virtual com uma consultoria organizacional de diversidade de gênero para treinar nossos diretores a desarmar esses possíveis efeitos dentro de nossas empresas.

O momento é difícil, sem dúvida, ainda mais porque precisamos decidir sob o efeito de uma grave crise de saúde, que também trouxe efeitos nefastos na economia mundial. Mas, como ressaltei, precisamos produzir anticorpos para que esse efeito seja minimizado para evitar que as desigualdades não se aprofundem ainda mais no futuro.

Nelson Wilians é CEO da Nelson Wilians Advogados

Novo Código de Processo Civil, 5 anos, segue em maturação

Nesta terça-feira (16/3), o novo Código de Processo Civil brasileiro completa cinco anos da sua vigência. Sancionada em 2015, a lei que regulamenta a tramitação de processos judiciais civis entrou em vigor apenas no ano seguinte.

A norma surgiu para substituir o CPC de 1973 e garantir mais segurança jurídica e celeridade processual. Por isso, precisou alterar e modernizar, principalmente, aspectos como a conciliação e os prazos recursais. Juristas ouvidos pela ConJur apontam que os avanços já são observados, mas podem ser ainda maiores. O advogado e professor de Direito Processual da USP José Rogerio Cruz e Tucci, colunista da ConJur,  já apontou, em entrevista exclusiva, que a legislação pode levar dez anos para atingir alguma maturidade.

“A ambição do novo diploma processual civil era o de tornar os procedimentos mais eficazes, céleres, transparentes e acessíveis a todos os implicados: partes, advogados, juízes, cortes e serventuários. O que tem sido obtido paulatinamente. Contudo, falta muito ainda para alimentar a certeza da Justiça, cada vez mais ultrajada pelos barões do Direito”, destaca Maristela Basso, professora de Direito Internacional e Comparado da USP.

Além das mudanças nos procedimentos e prazos processuais e o incentivo à conciliação e mediação, o novo CPC despontou mais constitucionalizado, de acordo com Fernanda Zucare, especialista em Direito Cível e Direito de Saúde e sócia do escritório Zucare Advogados Associados. “A pandemia tem nos ensinado muito no tocante ao ganho de eficiência e provavelmente teremos em breve muito mais a avançar”, completa ela.

“Alguns temas ainda são objeto de intensa discussão nos tribunais, tal como a majoração de honorários advocatícios face à apresentação de novos recursos e os patamares mínimos de fixação, afastando-se, em regra, a solução via equidade”, indica Felipe Pacheco Borges, sócio da área de contencioso cível estratégico do escritório Nelson Wilians Advogados. Apesar disso, ele constata avanços significativos a partir da nova lei e afirma que a instrumentalização do processo demanda reflexão e diálogo contínuo.

Para Renato de Mello Almada, especialista em Direito de Família e sócio do escritório Chiarottino e Nicoletti Advogados, um dos pontos de maior relevo do diploma é o capítulo de estímulo às técnicas de resolução consensual de conflitos. “Os cinco anos de vigência ainda não nos permitem ter uma visão definitiva, mas tudo indica que o atual CPC, bem aplicado, venha a contribuir de forma mais eficaz para o enfrentamento da realidade do sistema de Justiça”, indica ele.

Pontos em evidência
Tiago Asfor Rocha
, sócio do escritório RMS Advogados, destaca o fortalecimento do sistema de precedentes judiciais trazido pelo CPC, embora, segundo ele, “ainda sejamos dependentes de uma melhor formação acadêmica dos operadores do Direito neste aspecto”. O advogado também lembra da valorização dos honorários de sucumbência, que tem “gerado uma litigância mais responsável, na medida em que as partes devem sempre levar em conta tais ônus financeiros antes de iniciar uma demanda”.

Na opinião de Carolina Xavier da Silveira Moreira, sócia da área contenciosa do escritório Costa Tavares Paes Advogados, merece destaque o passo importante dado pelo CPC em direção ao processo eletrônico: “O processo eletrônico, com o atendimento remoto nos trilhos, possibilitou uma prestação jurisdicional rápida e efetiva, seja por meio de composição amigável entre as partes, seja por meio de decisões proferidas por nosso Poder Judiciário”. Segundo ela, a crise de Covid-19 acelerou ainda mais esse avanço.

A legislação ainda trouxe repercussões para o Direito de Família, especialmente ao favorecer a autocomposição: “Se aplicadas da forma correta, como desenhadas no CPC/2015, essas técnicas poderiam provocar uma alta performance nos conflitos familiares, privilegiando a mediação, com a presença de profissionais especializados e audiências em tempo adequado”, assegura Rodrigo Mazzei, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

Quanto ao Direito das Sucessões, Mazzei elogia a criação da partilha antecipada, mas alerta para a falta de disposições adequadas do novo código: “Repetiu procedimentos muito antigos do Direito Sucessório, vinculados a um Direito Material do começo do século 20. É praticamente uma cópia do antigo Código de Processo Civil, de 1973, na parte de inventário e partilha”.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 16 de março de 2021, 8h44