Do Centro Geodésico da América do Sul ao Pacífico: Por Que Mato Grosso é peça-chave na integração do Brasil com o Peru

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ATHENA CAMPOS DUARTE,
Advogada e Coordenadora do escritório Nelson Wilians Advogados.

O Brasil tem intensificado seus esforços de integração econômica com a América do Sul, com especial atenção ao eixo andino e ao Pacífico. Nesse movimento, a relação com o Peru ganha relevância estratégica pela conexão com o eixo Ásia-Pacífico e seu reposicionamento no comércio internacional. Dentro dessa estratégia de integração, há um fator determinante para a viabilidade econômica e logística dessas iniciativas: o papel central de Mato Grosso como principal base produtiva e geradora de carga do Brasil.

Localizado no centro geodésico da América do Sul, Mato Grosso ocupa uma posição logística singular e exerce papel decisivo como elemento-chave que transforma corredores bioceânicos em algo economicamente viável. O estado possui um PIB superior a R$ 270 bilhões, figura entre as economias que mais crescem no país e tem registrado uma das maiores taxas de crescimento industrial do Brasil, com forte base no agronegócio. Mato Grosso é o maior produtor nacional de soja e milho, líder na produção de algodão e um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, respondendo por cerca de 31% da produção brasileira de grãos, com safras superiores a 110 milhões de toneladas anuais.

Essa escala produtiva sustenta uma grande demanda logística, com elevada capacidade de armazenagem, forte presença de operadores privados e corredores de escoamento em expansão. É essa combinação entre volume, regularidade de oferta e estrutura logística que torna o estado a principal âncora econômica para projetos de integração bioceânica e para a conexão entre o Brasil produtivo e os mercados asiáticos.

“É a combinação entre volume produtivo, regularidade de oferta e estrutura logística que transforma Mato Grosso na principal âncora econômica da integração bioceânica.”

Nesse contexto, o Peru se afirma como parceiro complementar na integração com o eixo Ásia-Pacífico. O país consolidou-se como uma das economias mais estáveis da América Latina, com previsibilidade macroeconômica e ambiente regulatório claro, o que sustentou sua inserção nas cadeias globais de valor e seu posicionamento como porta de entrada para a Ásia.

Para as empresas de Mato Grosso, especialmente dos setores do agronegócio, alimentos e insumos, esse contexto altera a lógica tradicional da exportação. Instrumentos como o ACE-58, que garante tarifa zero para grande parte dos produtos brasileiros, somam-se às vantagens logísticas associadas ao Porto de Chancay, fator decisivo para operações sensíveis ao frete. Esse conjunto de fatores torna o estado altamente competitivo tanto para atender o mercado peruano quanto para utilizar o país como plataforma de acesso à Ásia.

Ao mesmo tempo, o Peru não deve ser visto apenas como rota. Trata-se de um importador estrutural de grãos, óleos, proteínas, insumos agrícolas e alimentos processados, com preços internos frequentemente superiores aos valores internacionais. Isso cria oportunidades concretas para empresas mato-grossenses capturarem valor diretamente no mercado peruano. O setor de alimentos evidencia bem essa integração em múltiplas frentes. O crescimento da agroindústria, da pesca e do mercado de alimentos preparados no Peru impulsiona a demanda por matérias-primas e produtos com maior valor agregado. Eventos como a Expoalimentaria refletem esse movimento, conectando produtores, indústrias e compradores internacionais. A presença do Governo do Estado de Mato Grosso com estande próprio na feira demonstra que há uma estratégia institucional em curso para posicionar o estado como parceiro relevante na cadeia alimentar regional. Essa dinâmica fortalece a gastronomia como ativo econômico e impulsiona o turismo de negócios, ampliando o intercâmbio comercial, cultural e institucional entre Mato Grosso e Peru.

A conectividade completa esse cenário. A internacionalização do Aeroporto de Cuiabá e sua consolidação como hub regional ampliam a integração aérea com países como Peru, Bolívia e Chile, facilitando missões empresariais, circulação de executivos, turismo de negócios e logística complementar. Essa infraestrutura reforça o papel de Mato Grosso como ponto de articulação entre produção, mercado e circulação internacional.

“A relação entre Mato Grosso e o Peru não é uma aposta futura, mas um processo em andamento que exige decisões estratégicas e planejamento jurídico adequado.”

A relação entre Mato Grosso e Peru, portanto, não é uma aposta futura, mas um movimento já em curso, que exige decisões estratégicas. Transformar esse potencial em operações seguras demanda planejamento jurídico, estruturação contratual adequada e compreensão das normas que regem o comércio internacional, investimentos e cadeias transnacionais. É nesse ponto que a assessoria especializada se torna essencial, conectando visão estratégica à execução, para que empresas do estado ocupem posições relevantes nesse novo eixo de integração sul-americana.

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