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Poucos temas resumem tão bem os paradoxos do agro brasileiro quanto o seguro rural. De um lado, uma atividade exposta como poucas a fatores que ninguém controla — clima, pragas, intempéries. De outro, justamente quem mais precisa de proteção é quem mais encontra dificuldade para contratá-la. O nó da oferta e do subsídio O seguro […]
Poucos temas resumem tão bem os paradoxos do agro brasileiro quanto o seguro rural. De um lado, uma atividade exposta como poucas a fatores que ninguém controla — clima, pragas, intempéries. De outro, justamente quem mais precisa de proteção é quem mais encontra dificuldade para contratá-la.
O seguro rural envolve um risco altíssimo e difícil de pulverizar. Por mais que hoje se consiga prever sazonalidade e modelar uma série de variáveis, ainda falta controle e padronização no campo. O resultado é um seguro caro e de oferta limitada. O principal mecanismo de apoio, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), deveria ajudar a fechar essa conta, mas vem perdendo força.
Os números preocupam. Em 2025, o orçamento do PSR sofreu corte de cerca de R$ 445 milhões, uma redução de aproximadamente 42%. A área segurada, que já chegou a 14 milhões de hectares, recuou para a casa dos 3,2 milhões em 2025, o menor desempenho em 10 anos. E há um efeito perverso: com menos recursos, as seguradoras tendem a priorizar culturas e regiões de menor risco — deixando de fora exatamente quem está mais exposto.
É justo cobrar uma política pública mais robusta e previsível para o seguro rural; essa é uma pauta legítima do setor. Mas seria um erro o produtor cruzar os braços à espera de subsídio. Existe uma parte da equação que está nas mãos dele.
E aqui o seguro encontra um velho conhecido desta coluna: a profissionalização. Quanto maior o nível de governança, de domínio da operação e de qualidade das informações, mais “segurável” o produtor se torna. A seguradora precifica risco e incerteza; quem opera de forma manual, sem dados e sem controle, é, por definição, mais arriscado (e paga mais caro por isso, quando consegue contratar). Não custa lembrar que a maior parte dos produtores ainda é de pequeno porte e opera de forma pouco profissionalizada.
Proteger a operação não se resume a comprar um seguro. É construir uma estratégia de risco que combine vários instrumentos:
O seguro rural brasileiro tem, sim, problemas estruturais de oferta e de financiamento que precisam ser enfrentados no debate público. Mas, enquanto essa agenda avança, o produtor que trata a gestão de risco como parte central do negócio — e não como um detalhe burocrático — sai na frente. Num setor em que nem tudo pode ser previsto, ter domínio sobre aquilo que se pode controlar já é meio caminho andado.
Fontes dos dados: Ministério da Agricultura e Pecuária (PSR) e reportagens de CNN Brasil, Gazeta do Povo e Revista Cultivar, 2025.
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