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Por Dr. Alberto Carbonar, sócio da NWADV.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou provimento ao Recurso Especial nº 2.255.021-RS, confirmando a validade da exigência de regularidade fiscal para adesão ao Programa Especial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE). A decisão monocrática, da relatoria do Ministro Paulo Sérgio Domingues, indeferiu o pleito de empresa do setor de gastronomia que buscava o direito à alíquota zero sem apresentação de certidões negativas perante o FGTS, a Receita Federal, a PGFN e o CADIN. A recorrente sustentava que a Lei nº 14.148/2021 não previu expressamente a regularidade fiscal como condição para a fruição do benefício, e que a Instrução Normativa RFB nº 2.195/2024 teria violado os artigos 97, 99 e 100 do CTN e o artigo 2º da LINDB, ao inovar na ordem jurídica e restringir desoneração estabelecida por lei federal.
O acórdão recorrido do TRF-4 fundamentou que os dispositivos da instrução normativa limitaram-se a transcrever condicionantes já existentes em leis anteriores, como a Lei nº 8.036/1990, a Lei nº 9.069/1995 e a Lei nº 10.522/2002. O Ministro Relator ressaltou que a Lei nº 14.148/2021 foi alterada pela Lei nº 14.859/2024, que incluiu o artigo 4º-B, estabelecendo expressamente a necessidade de habilitação prévia e delegando à Receita Federal a competência para regulamentar os procedimentos de adesão. A exigência encontra amparo direto no artigo 195, §3º, da Constituição Federal, que veda à pessoa jurídica em débito com a seguridade social contratar com o Poder Público ou dele receber benefícios ou incentivos fiscais.
A decisão afastou expressamente a aplicação do REsp nº 1.822.097/RS, invocado pela recorrente, no qual o STJ havia afastado a exigência de regularidade fiscal para isenção de IPI — mas, naquele cenário, não havia delegação legal clara que autorizasse o Executivo a criar tal condicionante. A existência de delegação específica nos artigos 4º, §6º, e 4º-B da Lei nº 14.148/2021 foi considerada decisiva para diferenciar os casos e manter a exigência administrativa. O precedente evidencia a relevância do tema para empresas do setor de eventos que pretendem aderir ao PERSE e tende a influenciar futuras discussões judiciais e administrativas sobre a matéria. Nesse contexto, a avaliação individualizada dos impactos da norma e da jurisprudência aplicável mostra-se fundamental para a adequada gestão dos riscos tributários e para a tomada de decisões empresariais.
STJ Valida Exigencia de Certidão Negativa para Ingreso de Empresas en el PERSE
El Superior Tribunal de Justicia (STJ) denegó provimiento al Recurso Especial nº 2.255.021-RS, confirmando la validez de la exigencia de regularidad fiscal para la adhesión al Programa Especial de Retomada del Sector de Eventos (PERSE). La decisión monocrática, de la relatoría del Ministro Paulo Sérgio Domingues, desestimó el pleito de una empresa del sector de gastronomía que buscaba el derecho a la alícuota cero sin presentación de certidones negativas ante el FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), la Receita Federal, la PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) y el CADIN (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal). La recurrente sostenía que la Ley nº 14.148/2021 no previó expresamente la regularidad fiscal como condición para la fruición del beneficio, y que la Instrucción Normativa RFB nº 2.195/2024 habría vulnerado los artículos 97, 99 y 100 del CTN (Código Tributário Nacional) y el artículo 2º de la LINDB (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro), al innovar en el ordenamiento jurídico y restringir una desoneração establecida por ley federal.
El acórdano recurrido del TRF-4 se fundamentó en que los dispositivos de la instrucción normativa se limitaron a transcribir condicionantes ya existentes en leyes anteriores, como la Ley nº 8.036/1990, la Ley nº 9.069/1995 y la Ley nº 10.522/2002. El Ministro Relator resaltó que la Ley nº 14.148/2021 fue alterada por la Ley nº 14.859/2024, que incluyó el artículo 4º-B, estableciendo expresamente la necesidad de habilitación previa y delegando a la Receita Federal la competencia para reglamentar los procedimientos de adhesión. La exigencia encuentra amparo directo en el artículo 195, §3º, de la Constitución Federal, que veda a la persona jurídica en débito con la seguridad social contratar con el Poder Público o de él recibir beneficios o incentivos fiscales.
La decisión apartó expresamente la aplicación del REsp nº 1.822.097/RS, invocado por la recurrente, en el cual el STJ había apartado la exigencia de regularidad fiscal para la exención de IPI —pero, en aquel escenario, no había delegación legal clara que autorizara al Ejecutivo a crear tal condicionante. La existencia de delegación específica en los artículos 4º, §6º, y 4º-B de la Ley nº 14.148/2021 fue considerada decisiva para diferenciar los casos y mantener la exigencia administrativa. El precedente pone de manifiesto la relevancia del tema para las empresas del sector de eventos que pretenden adherir al PERSE y tiende a influir en futuras discusiones judiciales y administrativas sobre la materia. En ese contexto, la evaluación individualizada de los impactos de la norma y de la jurisprudencia aplicable resulta fundamental para una adecuada gestión de los riesgos tributarios y para la toma de decisiones empresariales.
Referência: Decisão Monocrática no REsp 2.255.021-RS, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues | Publicação: 06/07/2026
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