Justiça Federal Concede Liminar e Afasta Tributação de 10% sobre Dividendos

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Por Dr. Alberto Carbonar, sócio da NWADV.

A 9ª Vara Cível Federal de São Paulo proferiu uma importante decisão liminar em Mandado de Segurança, suspendendo a exigibilidade da retenção na fonte de 10% de Imposto de Renda (IRPF) sobre a distribuição de lucros e dividendos. A nova exação, introduzida pela Lei nº 15.270/2025 (art. 6º-A da Lei 9.250/1995), impõe a tributação linear para distribuições que ultrapassem R$ 50.000,00 mensais. A magistrada acolheu a tese de que a cobrança viola frontalmente os princípios constitucionais da capacidade contributiva, da progressividade e da isonomia, resguardando o fluxo de caixa corporativo e o patrimônio dos sócios da empresa impetrante.

O cerne da inconstitucionalidade reside no desenho normativo desproporcional da nova lei. A incidência de uma alíquota fixa e definitiva de 10% na fonte anula a obrigatoriedade constitucional de progressividade do IRPF. Além disso, a regra cria um grave “efeito-degrau” (cliff effect): a superação do teto em apenas R$ 0,01 atrai a tributação sobre a totalidade do montante distribuído, gerando uma perda patrimonial imediata e injustificada. Para empresas optantes pelo Lucro Real, a cumulação desta retenção com a carga tributária corporativa prévia (IRPJ e CSLL) pode elevar a exação global a patamares próximos a 44%, configurando verdadeiro confisco do capital produtivo.

A tese jurídica referendada por este precedente (Processo nº 5008153-37.2026.4.03.6100) apoia-se também na aplicação analógica do Tema nº 1.174 do STF, que já declarou inconstitucional a instituição de alíquotas fixas na fonte sem faixas de progressão. A nova sistemática discrimina investidores e força as empresas a alterarem drasticamente suas políticas de distribuição de resultados, impactando a atratividade de investimentos e o planejamento financeiro das companhias.

A decisão acrescenta um importante precedente ao debate sobre a constitucionalidade da tributação de dividendos e seus potenciais impactos sobre empresas e investidores. O entendimento adotado pela Justiça Federal reforça a relevância da discussão acerca da compatibilidade da nova sistemática com os princípios constitucionais que regem o Imposto de Renda, especialmente em relação à capacidade contributiva, à progressividade e à isonomia. Nesse contexto, a análise individualizada dos efeitos da legislação mostra-se fundamental para a adequada avaliação dos riscos, oportunidades e medidas juridicamente cabíveis em cada situação concreta.


Justicia Federal Otorga Medida Cautelar y Anula Tributación del 10% sobre Dividendos

El 9º Juzgado Civil Federal de São Paulo emitió una importante medida cautelar en un Mandato de Seguridad, suspendiendo la exigibilidad de la retención en la fuente del 10% de Impuesto sobre la Renta (IRPF) en la distribución de utilidades y dividendos. El nuevo gravamen, introducido por la Ley nº 15.270/2025 (art. 6º-A de la Ley 9.250/1995), impone una tributación lineal para distribuciones que superen los R$ 50.000,00 mensuales. La magistrada acogió la tesis de que el cobro viola frontalmente los principios constitucionales de capacidad contributiva, progresividad e isonomía, protegiendo el flujo de caja corporativo y el patrimonio de los socios de la empresa demandante.

El núcleo de la inconstitucionalidad radica en el diseño normativo desproporcionado de la nueva ley. La incidencia de una tasa fija y definitiva del 10% en la fuente anula la obligatoriedad constitucional de progresividad del IRPF. Además, la regla crea un grave “efecto escalón” (cliff effect): superar el límite en apenas R$ 0,01 atrae la tributación sobre la totalidad del monto distribuido, generando una pérdida patrimonial inmediata e injustificada. Para las empresas bajo el régimen de Lucro Real, la acumulación de esta retención con la carga tributaria corporativa previa (IRPJ y CSLL) puede elevar la exacción global a niveles cercanos al 44%, configurando una verdadera confiscación del capital productivo.

La tesis jurídica respaldada por este precedente (Proceso nº 5008153-37.2026.4.03.6100) se apoya también en la aplicación analógica del Tema nº 1.174 del Supremo Tribunal Federal (STF), que ya declaró inconstitucional la institución de tasas fijas en la fuente sin rangos de progresión. El nuevo sistema discrimina a los inversores y obliga a las empresas a alterar drásticamente sus políticas de distribución de resultados, impactando la atracción de inversiones y la planificación financiera de las compañías.

La decisión incorpora un importante precedente al debate sobre la constitucionalidad de la tributación de dividendos y sus potenciales impactos sobre las empresas y los inversores. El criterio adoptado por la Justicia Federal refuerza la relevancia de la discusión acerca de la compatibilidad del nuevo régimen con los principios constitucionales que rigen el Impuesto sobre la Renta, especialmente en lo que respecta a la capacidad contributiva, la progresividad y la igualdad tributaria. En este contexto, el análisis individualizado de los efectos de la legislación resulta fundamental para una adecuada evaluación de los riesgos, oportunidades y medidas jurídicamente procedentes en cada situación concreta.

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