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Por Dr. Alberto Carbonar, sócio da NWADV.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou provimento ao Recurso Especial nº 2.256.719-RS, mantendo a validade da extinção antecipada do benefício fiscal do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE) para empresa do setor hoteleiro. A decisão monocrática, da relatoria do Ministro Paulo Sérgio Domingues, confirmou os efeitos da Lei nº 14.859/2024 e do Ato Declaratório Executivo RFB 2/2025, que determinaram o encerramento da desoneração após o atingimento do limite de custo fiscal global de R$ 15 bilhões. A recorrente sustentava que a redução a zero das alíquotas de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins configuraria isenção por prazo certo e sob condição onerosa, protegida pelo artigo 178 do CTN e pela Súmula 544 do STF, impedindo a revogação antes dos sessenta meses previstos na Lei nº 14.148/2021.
O Ministro Relator destacou que a jurisprudência da Segunda Turma do STJ consolidou o entendimento de que o PERSE não exige contrapartidas onerosas dos beneficiários. Conforme precedentes como o REsp nº 2.255.212, o exercício da atividade empresarial é pressuposto lógico para o gozo do benefício, não se confundindo com prestação adicional. A simples instituição de requisitos formais ou limitação subjetiva via CNAE não caracteriza onerosidade, reafirmando a regra da plena revogabilidade para isenções simples. A decisão aplicou ainda o óbice da Súmula 7 para não reexaminar o contexto fático-probatório, e afastou a alegação de violação à anterioridade, pois o TRF-4 concluiu que o limite de custo fiscal foi estabelecido dez meses antes da declaração do teto, respeitando as anterioridades anual e nonagesimal.
O julgado reforçou que o Ato Declaratório Executivo RFB 2/2025 possui caráter meramente declaratório, pois a retomada da tributação decorre diretamente do artigo 4º-A da Lei nº 14.148/2021, que previu o encerramento da desoneração assim que o custo fiscal atingisse o montante estipulado. A decisão reiterou que benefícios fiscais que resultam em renúncia de receita devem ser interpretados conforme o artigo 111 do CTN, com interpretação literal e parcimônia. O precedente evidencia a relevância do tema para empresas do setor de eventos que fruíram do PERSE e tende a influenciar futuras discussões judiciais e administrativas sobre a matéria. Nesse contexto, a avaliação individualizada dos impactos da norma e da jurisprudência aplicável mostra-se fundamental para a adequada gestão dos riscos tributários e para a tomada de decisões empresariais.
STJ Mantiene Extinción Anticipada del Beneficio Fiscal del PERSE
El Superior Tribunal de Justicia (STJ) denegó provimiento al Recurso Especial nº 2.256.719-RS, manteniendo la validez de la extinción anticipada del beneficio fiscal del Programa Emergencial de Retomada del Sector de Eventos (PERSE) para una empresa del sector hotelero. La decisión monocrática, de la relatoría del Ministro Paulo Sérgio Domingues, confirmó los efectos de la Ley nº 14.859/2024 y del Ato Declaratório Executivo RFB 2/2025, que determinaron el cierre de la desoneração tras el atingimiento del límite de costo fiscal global de R$ 15 mil millones. La recurrente sostenía que la reducción a cero de las alícuotas de IRPJ, CSLL, PIS y Cofins configuraría exención por plazo cierto y bajo condición onerosa, protegida por el artículo 178 del CTN (Código Tributário Nacional) y por la Súmula 544 del STF, impidiendo la revocación antes de los sesenta meses previstos en la Ley nº 14.148/2021.
El Ministro Relator destacó que la jurisprudencia de la Segunda Turma del STJ consolidó el entendimiento de que el PERSE no exige contrapartidas onerosas de los beneficiarios. Conforme precedentes como el REsp nº 2.255.212, el ejercicio de la actividad empresarial es presupuesto lógico para el goce del beneficio, no confundiéndose con prestación adicional. La simple institución de requisitos formales o limitación subjetiva vía CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) no caracteriza onerosidad, reafirmando la regla de la plena revocabilidad para exenciones simples. La decisión aplicó además el óbice de la Súmula 7 para no reexaminar el contexto fáctico-probatorio, y apartó la alegación de violación a la anterioridad, pues el TRF-4 concluyó que el límite de costo fiscal fue establecido diez meses antes de la declaración del tope, respetando las anterioridades anual y nonagesimal.
El fallo reforzó que el Ato Declaratório Executivo RFB 2/2025 posee carácter meramente declaratorio, pues la retomada de la tributación decorre directamente del artículo 4º-A de la Ley nº 14.148/2021, que previó el cierre de la desoneração así que el costo fiscal atingiera el monto estipulado. La decisión reiteró que los beneficios fiscales que resultan en renuncia de ingreso deben ser interpretados conforme el artículo 111 del CTN, con interpretación literal y parsimonia. El precedente pone de manifiesto la relevancia del tema para las empresas del sector de eventos que fruyeron del PERSE y tiende a influir en futuras discusiones judiciales y administrativas sobre la materia. En ese contexto, la evaluación individualizada de los impactos de la norma y de la jurisprudencia aplicable resulta fundamental para una adecuada gestión de los riesgos tributarios y para la toma de decisiones empresariales.
Referência: Decisão Monocrática no REsp 2.256.719-RS, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues | Publicação: 06/07/2026
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