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Por Dr. Alberto Carbonar, sócio da NWADV.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) proferiu uma contundente decisão liminar suspendendo a exigibilidade do acréscimo de 10% sobre os percentuais de presunção do IRPJ e da CSLL, imposto pela Lei Complementar nº 224/2025. A decisão, proferida em Agravo de Instrumento, reconheceu que o regime do Lucro Presumido não constitui um benefício fiscal, mas sim um método legal e simplificado de apuração tributária. Ao tentar aumentar a carga tributária sob o pretexto de “redução de incentivos”, o legislador promoveu um aumento oblíquo e disfarçado, violando frontalmente a Constituição Federal e resguardando, assim, o fluxo de caixa da empresa agravante contra essa tributação indevida.
O cerne da inconstitucionalidade reside no desvirtuamento do próprio regime. A LC 224/2025, ao aplicar um acréscimo linear de 10% nos percentuais de presunção (com gatilho de receita superior a R$ 5 milhões anuais), descola a base de cálculo da real capacidade de geração de lucro das empresas. O Desembargador Relator destacou que essa manobra ofende o princípio da transparência (reforçado pela EC 132/2025), a razoabilidade e a capacidade contributiva. Na prática, a norma transforma o IRPJ e a CSLL em tributos sobre o faturamento, tributando uma renda fictícia e inexistente, o que contraria o conceito constitucional de renda (Art. 153, III, da CF).
A tese jurídica chancelada por este importante precedente do TRF4, demonstra que a opcionalidade do regime do Lucro Presumido não confere ao Estado um “cheque em branco” para tributar de forma confiscatória. O acréscimo genérico e desvinculado da materialidade econômica impõe uma carga desproporcional, sufocando o capital de giro e prejudicando a previsibilidade financeira de milhares de empresas que optaram legitimamente por esta sistemática de apuração.
A decisão do TRF4 acrescenta um importante elemento ao debate sobre os limites da tributação no regime do Lucro Presumido e a compatibilidade de alterações legislativas com os princípios constitucionais que regem o sistema tributário nacional. O precedente evidencia a relevância do tema para empresas sujeitas a essa sistemática de apuração e tende a influenciar futuras discussões judiciais e administrativas sobre a matéria. Nesse contexto, a avaliação individualizada dos impactos da norma e da jurisprudência aplicável mostra-se fundamental para a adequada gestão dos riscos tributários e para a tomada de decisões empresariais.
TRF4 Suspende Aumento del 10% en el Lucro Presumido y Confirma Ilegalidad de la LC 224/2025
El Tribunal Regional Federal de la 4ª Región (TRF4) emitió una contundente medida cautelar suspendiendo la exigibilidad del incremento del 10% sobre los porcentajes de presunción del IRPJ y de la CSLL, impuesto por la Ley Complementaria nº 224/2025. La decisión, dictada en un Recurso de Agravio, reconoció que el régimen de Lucro Presumido (Ganancia Presunta) no constituye un beneficio fiscal, sino un método legal y simplificado de liquidación tributaria. Al intentar aumentar la carga tributaria bajo el pretexto de “reducción de incentivos”, el legislador promovió un aumento oblicuo y disfrazado, violando frontalmente la Constitución Federal y protegiendo, así, el flujo de caja de la empresa recurrente contra esta tributación indebida.
El núcleo de la inconstitucionalidad radica en la desvirtuación del propio régimen. La LC 224/2025, al aplicar un incremento lineal del 10% en los porcentajes de presunción (con un umbral de ingresos superior a R$ 5 millones anuales), desvincula la base de cálculo de la capacidad real de generación de ganancias de las empresas. El Magistrado Relator destacó que esta maniobra ofende el principio de transparencia (reforzado por la Enmienda Constitucional 132/2025), la razonabilidad y la capacidad contributiva. En la práctica, la norma transforma el IRPJ y la CSLL en tributos sobre la facturación, gravando una renta ficticia e inexistente, lo que contradice el concepto constitucional de renta (Art. 153, III, de la CF).
La tesis jurídica respaldada por este importante precedente del TRF4, demuestra que la opcionalidad del régimen de Lucro Presumido no otorga al Estado un “cheque en blanco” para tributar de forma confiscatoria. El incremento genérico y desvinculado de la materialidad económica impone una carga desproporcional, asfixiando el capital de trabajo y perjudicando la previsibilidad financiera de miles de empresas que optaron legítimamente por este sistema de liquidación.
La decisión del TRF4 incorpora un importante elemento al debate sobre los límites de la tributación en el régimen de Lucro Presumido y la compatibilidad de las modificaciones legislativas con los principios constitucionales que rigen el sistema tributario nacional. El precedente pone de manifiesto la relevancia del tema para las empresas sujetas a este régimen de determinación fiscal y tiende a influir en futuras discusiones judiciales y administrativas sobre la materia. En este contexto, la evaluación individualizada de los impactos de la norma y de la jurisprudencia aplicable resulta fundamental para una adecuada gestión de los riesgos tributarios y para la toma de decisiones empresariales.
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